• Rosana Cares

Aprimore sua habilidade de tomar decisões

Atualizado: 2 de jun. de 2021



Todos os dias fazemos dezenas de escolhas, das mais simples às mais complexas. Algumas o nosso cérebro resolve tão bem que nem precisamos fazer esforço algum, como os movimentos que fazemos de maneira automática ou por hábito. Outras, já exigem certo nível de consciência, como escolher o que vestir, o que almoçar, qual percurso fazer. Referidas escolhas, dificilmente, causariam um impacto tão significativo em nossas vidas.


Porém, existem decisões que podem mudar definitivamente a história das nossas vidas e daqueles que dependem de nós, ou de uma organização. O objetivo desse conteúdo é auxiliá-los, verdadeiramente, no processo de fazer escolhas inteligentes, mesmo em um cenário complexo e incerto.


Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, a Tomada de Decisão está entre as competências mais valorizadas pelo mercado de trabalho. Para alcançar resultados extraordinários, as organizações estão dispostas a investir em profissionais criativos, que sejam ágeis em tomar decisões inteligentes.


Fazer escolhas complexas, com certeza, traz angústia, principalmente em um contexto de mudança frenética como o atual, onde os cenários são imprevisíveis e as organizações precisam tomar decisões rápidas mesmo correndo risco.


Soma-se a isso a chagada de um vírus que acabou de vez com a segurança do governo, empresas e indivíduos ao tomarem decisões. Coisas que outrora fazíamos de maneira automática, sem nenhum esforço, agora são motivo de dúvidas e ansiedade, como ir ou não ao supermercado, sair ou não na rua.

Para incrementar esse cenário de incertezas, o “bombardeio” de informações imprecisas e, muitas vezes, sem fundamento confiável, afetou ainda mais a capacidade de tomada de decisão dos indivíduos, empresários e autoridades.


A boa notícia é que tomar decisões mais efetivas e racionais é uma habilidade que pode ser desenvolvida e nesse trabalho vamos demonstrar como fazer isso. Antes, porém, vamos conhecer alguns conceitos relacionados ao processo decisório.


Para o economista americano Herbert Simon, um dos precursores da Teoria da Decisão, a tomada de decisão é um processo composto por três fases. Prospecção (análise de um problema, situação ou demanda que requer solução), concepção (criação de alternativas de solução) e decisão (julgamento e escolha de uma das alternativas propostas). Afirma, ainda, que as decisões podem ser divididas em duas categorias: as programadas e não programadas.


A maioria dos administradores definem as decisões programadas como rotineiras e repetitivas, com solução programada. Economizam tempo e energia, pois já fazem parte do banco de soluções da organização. Por exemplo, se um cliente interno ou externo todos os meses busca resposta ou solução para determinada situação ou problema, isso indica que uma decisão precisa ser padronizada, isso resultará em ganho de tempo e eficiência.


Já as decisões não-programadas são aquelas que estão surgindo pela primeira vez, ou seja, as soluções padronizadas anteriormente não se encaixam para um novo problema. Nesse caso, serão necessárias novas atitudes e técnicas que possibilitem entender o problema, visualizar as alternativas possíveis até chegar à tomada de decisão.


Existem dois modelos básicos de tomada de decisão: o da Racionalidade e o Intuitivo. O modelo racional tem como base a razão, tem sempre uma lógica dentro do processo decisório onde os objetivos são bem claros e bem definidos, partindo da premissa de que todas as informações estão disponíveis para o gestor, os critérios para tomar a decisão são extremamente claros e leva sem em conta a maximização dos resultados da organização.


Quanto ao modelo Intuitivo, o tomador de decisão leva em consideração sua experiência e conhecimentos para fazer a escolha. Funciona bem em situações em que o cérebro teve tempo e oportunidade de ser treinado, o sucesso com a decisão tomada de maneira intuitiva dependerá do contexto e da experiência envolvida. Em situações em que não seja possível apreender com a prática, como a escolha da carreira profissional, mudança de emprego ou iniciar um projeto novo, é preciso usar a razão. (GODOI, 2020).


Sobre isso, considerando que, a racionalidade encontra limitações, como a falta ou imprecisão dos dados e informações relevantes e restrição de tempo, o ideal é um modelo que combine o uso da razão e as experiências e conhecimentos do tomador de decisões.


Importa destacar, ainda, que a tomada de decisão envolve muito mais que identificar o problema, definir os critérios, analisar e escolher as alternativas viáveis, é preciso se comprometer com as escolhas feitas e suas consequências.


Nesse sentido, convidar a equipe para participar do processo decisório com novas ideias, além de chegar a decisões melhores, gera engajamento, fazendo com que a equipe toda se comprometa com os riscos e resultados das decisões tomadas.


Como dito anteriormente, a Tomada de Decisão, assim como as outras competências comportamentais, pode ser desenvolvida ou aprendida. Com esse objetivo, de acordo com a autora Andréa Saad, ao longo dos anos foram criadas muitas técnicas e ferramentas, como os Sistemas de Informação, que funcionam como suporte para a tomada de decisão, e muitos outras como: Matriz de Decisão, Matriz GUT, Prospecção de Cenários, dentre outras. (SAAD, 2019).


Com o objetivo de ajudar nesse importante processo de desenvolvimento da competência de tomada de decisão, possibilitando maior assertividade no processo decisório, alinhados à visão, missão e cultura organizacional, a mesma autora, Andréia Saad, criou a Decision Canvas, vejamos a descrição dessa importante ferramenta e em seguida uma imagem que a contempla por inteiro:


A ferramenta é dividida em oito etapas. O ponto de partida é a definição do desafio a ser solucionado. A visão, missão e cultura organizacional vêm na sequência, para direcionamento da tomada de decisão. Depois disso, temos a busca de informações e razões para sustentar o processo decisório, que será baseado em fatos, dados e estatísticas, internas e externas à empresa, comtemplando também as experiências, ideias e conhecimentos dos tomadores de decisão. Ou seja, engloba inúmeros aspectos, num processo de ideação individual ou colaborativo.
Definindo o melhor caminho a ser seguido, é preciso checar a coerência com o norte estratégico da organização, para ver se ele se aproxima ou se afasta da essência e valores da empresa, que é a próxima etapa. Por fim, elencamos o road map para implementação do plano ou das ações necessárias para a efetivação da decisão. (SAAD, 2019).

O passo a passo completo de como utilizar, na prática, a Decision Canva, bem como o detalhamento de cada etapa, no livro “Liderança com Base nas Soft Skills”.


Rosana Cares




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